Património

 

Esta freguesia tem para oferecer um património que é, essencialmente, uma herança cultural. Pode ostentar séculos ou milénios, mas deve ser sempre entendido como um conjunto de manifestações que emana dos mais diversos graus do conhecimento humano, gerado por múltiplas gerações que, à sua maneira, compreenderam a necessidade de transmitirem algo aos vindouros.

 

 

Igreja Paroquial

 

A Igreja Paroquial desta freguesia esteve primitivamente no lugar da Seara, em terreno pertencente ao antigo passal, não muito distante da actual Residência Paroquial. Há, porém, uns trezentos anos foi demolida e mudada para o sítio onde está.

Edificado no centro de um bom adro parapeitado de pedra com três portas de serventia e seus respectivos fojos, salienta-se nele um bem trabalhado pórtico, com duas colunas toscanas, que ornamenta de um modo especial e característico a sua fachada.

O interior, amplo e espaçoso, é todo forrado a estuque liso sem ornatos, sendo os seus altares, tanto o altar-mor como os quatro laterais do corpo da igreja, em talha simples e moderna. Tem dois púlpitos antigos e a pia baptismal é em granito com lavores e pé torcido bem trabalhado. Dizem que já serviu na velha matriz e que para aqui veio quando da sua mudança.

A Torre, situada do lado esquerdo da Igreja, outrora estava edificada do seu lado direito.

O relógio da Igreja foi oferecido por Joaquim Ferreira da Costa, em 1 de Julho de 1968.

 

 

Cruzeiro Paroquial

 

O cruzeiro de Negreiros encontra-se num pequeno largo, em frente à igreja paroquial. Foi restaurado em 1987, data em que foi substituída a grande maioria das suas peças. O pedestal, assente sobre uma plataforma de três degraus, apenas consta de dado, com rebaixamentos em losango. A coluna não tem base e o fuste, encimado por um capitel de gosto popular, é cilíndrico. Sobre o capitel uma cruz de braços quadrangulares.

  

 

Eira dos Mouros / Fonte dos Mouros

 

É a Norte das casas do lugar de Além, em terreno de pinheiros e mato, que se encontra a “Eira dos Mouros” e, na sua vertente nascente, junto de um caminho de servidão agrícola, a “Fonte dos Moiros” que mereceu de Teotónio da Fonseca o seguinte comentário: “Eira dos moiros e Fonte dos moiros (…) podem ser lugares onde habitavam povos anteriores a estes. O sítio em questão é um pequeno montículo de muito suave declive voltado a Sul, mas bastante mais íngreme na encosta que se lhe opõe. O que verdadeiramente se destaca neste pinhal é a tal “eira dos moiros” com o seu recinto amuralhado em redor do seu perímetro. O interior é plano, de pequenas dimensões, onde dificilmente se encontra qualquer bocado de cerâmica, mesmo que seja tegula. Esta encontrámo-la na parte exterior da muralha, que presumimos que fosse em pedra a avaliar pelo que resta daquela estrutura na área do circuito voltado a Poente.

Estruturalmente trata-se de um minúsculo habitat – não comportaria mais de quatro a cinco casas, isto é, um número que em nada difere dos actuais – que tem similitude a nível de implantação, posicionamento, estruturas defensivas e material, com outros povoados que sabemos terem sido construídos ou reocupados no período que medeia entre o fim da ocupação romana e o início da Alta Idade Média.